O e-mail chega com um anexo e um título neutro: "Atualização de tabela - período sazonal". Dentro, uma planilha com uma linha nova, ou um percentual sobre o frete peso, ou uma generalidade que mudou de 0,3% para 0,5%. O texto pede o aceite até sexta, porque a transportadora precisa parametrizar antes do pico. A tentação é responder "ok", porque novembro não deixa tempo para outra coisa.
Esse aceite rápido é uma das decisões mais caras do ano, e quase nunca é tratado assim. Poucos por cento sobre dezenas de milhares de entregas em cinco semanas equivalem a uma renegociação de contrato inteira. Só que a renegociação tem reunião, dados e tempo. O reajuste de pico tem um e-mail e um prazo.
Este artigo mostra o que está dentro da tabela, como o reajuste de pico costuma chegar e como simular o impacto sobre o seu histórico antes de responder. Não para recusar tudo, mas para aceitar sabendo quanto custa, com vigência, gatilhos e exclusões negociados.
O que está dentro de uma tabela de frete
Antes de simular, vale abrir a tabela e nomear cada parte, porque o reajuste raramente vem num lugar só. Os componentes mais comuns:
- Frete peso: valor por faixa de peso (ou peso cubado, quando a cubagem supera o peso real) e por região de destino. É a base da tabela e onde a maioria dos reajustes de pico incide.
- Frete valor, ou ad valorem: percentual sobre o valor da nota fiscal, que remunera a responsabilidade pela carga. Pequeno em percentual, grande quando o ticket médio é alto.
- GRIS: gerenciamento de risco, também percentual sobre a NF-e, ligado a roubo de carga. Costuma ter valor mínimo por CT-e.
- TDE ou TDA: taxa de dificuldade de entrega ou de acesso, cobrada em CEPs de área restrita, zona rural, condomínios ou regiões de risco.
- Pedágio: valor por fração de peso ou por CT-e, conforme a rota.
- Taxa de pico ou sazonal: adicional aplicado num período definido, em geral percentual sobre o frete peso ou valor fixo por entrega.
- TRT: taxa de restrição de trânsito, para destinos com restrição à circulação de caminhões.
- Despacho: valor fixo por CT-e emitido.
Além deles, a tabela traz regras que mudam o resultado tanto quanto os valores: fator de cubagem, peso mínimo por faixa, valor mínimo por CT-e, regras de reentrega e devolução. Um reajuste que não mexe em valor nenhum mas muda o fator de cubagem de 300 para 250 kg/m³encarece tudo que é leve e volumoso, e não aparece como "reajuste" no e-mail.
Como o reajuste de pico costuma ser apresentado
As transportadoras têm custos reais a mais no pico: frota agregada, hora extra, armazém temporário. O reajuste sazonal é legítimo. O problema é a forma como ele chega, que dificulta a comparação. Quatro formatos são frequentes.
- Percentual único sobre o frete peso, do tipo "acréscimo de 8% de 16/11 a 23/12". O mais simples de simular e negociar: tem início, fim e base claros.
- Taxa fixa por entrega, uma linha nova de alguns reais por CT-e. Parece pequena, mas é regressiva: pesa muito mais em pedidos leves e de baixo valor, a maioria no e-commerce.
- Tabela nova inteira, sem destaque do que mudou. Você precisa descobrir, célula por célula, onde está a diferença. É o formato que mais esconde mudança de regra, como fator de cubagem.
- Mudança nas generalidades: GRIS ou ad valorem que sobem alguns décimos de ponto, ou valor mínimo por CT-e que aumenta. Com ticket médio alto, custa mais do que o reajuste do frete peso.
Nenhumdesses formatos diz quanto você vai pagar a mais. Só você tem essaresposta, porque só você tem o histórico.
Simular a nova tabela sobre o seu histórico de embarques
A simulação consiste em recalcular o frete dos embarques reais dos últimos meses com a tabela nova e comparar com o pago pela atual. Alógica é simples. O que exige cuidado é o recorte.
Use um período representativo. Os últimos 60 a 90 dias servem como base, mas a Black Friday do ano anterior é o melhor espelho do mix que vem pela frente, se houver dados por CT-e.
Abrao resultado por três eixos, no mínimo:
- Por região: um reajuste de 6% no frete peso pode significar 3% nas capitais do Sudeste e 11% no interior do Nordeste, conforme as faixas mudaram. A média esconde isso.
- Por faixa de peso: taxas fixas e valores mínimos pesam nas faixas leves; mudanças no frete peso pesam nas pesadas. Saber onde está o volume muda a negociação.
- Por cubagem: separe os pedidos em que o peso cubado supera o real. Se o fator mudou, é aí que o impacto se concentra.
Um exemplo didático. Imagine 40 mil entregas no pico, frete médio de R$ 28,00 e um reajuste de "taxa sazonal de R$ 2,50 por entrega mais 4% no frete peso". A conta rápida dá R$ 100 mil de taxa fixa mais cerca de R$ 45 mil de percentual, perto de R$ 145 mil no período, ou 13% a mais sobre o frete do pico. Só que, ao abrir por faixa de peso, descobre-se que 60% das entregas estão abaixo de 2kg, com frete médio de R$ 16,00. Nessa faixa, a taxa fixa sozinha representa 15,6% de aumento. A média não conta a história; a faixa leve conta.
A abertura também mostra o que negociar: trocar a taxa fixa por percentual, isentar a faixa leve ou limitar a taxa às regiões onde a transportadora tem custo extra de fato.
Negociar vigência, gatilhos e exclusões, e comparar entre transportadoras
Com a simulação na mão, a conversa muda de "aceita ou não" para "aceita em quais termos". Três frentes merecem cláusula.
Vigência: data de início e de fim, sem renovação automática. Uma taxa de pico que entra em 16 de novembro e não tem data para sair vira tabela nova em janeiro. Peça que a vigência fique registrada na própria tabela, não só no e-mail, para a auditoria de CT-e aplicara regra certa em cada data.
Gatilhos: se a transportadora justifica a taxa por volume, condicione a cobrança ao volume. A taxa só incide nos dias em que o expedido superar um patamar combinado, ou só nas regiões com capacidade adicional contratada. Taxa sem gatilho é reajuste disfarçado.
Exclusões: o que fica de fora. Reentregas causadas pela transportadora, devoluções por avaria, CT-es complementares, faixas de peso em que o custo adicional não se justifica, regiões de redespacho.
E registre quem aprovou, quando e com base em qual simulação. Quando a fatura chegar em dezembro, essa trilha separa uma contestação com evidência de uma discussão de memória.
A simulação tem ainda um segundo uso, mais poderoso: comparar com as outras transportadoras antes de aceitar. Com a tabela de cada uma carregada, rodar o histórico com a tabela reajustada de uma e avigente das demais mostra, por região e faixa de peso, onde o reajuste tira a competitividade de quem o propôs.
Dois efeitos. Na negociação, "com esse reajuste, a transportadora B passa a ser mais barata em 40% do nosso volume do Sul" é um argumento objetivo, não uma ameaça. Na operação, aceito o reajuste, a cotação automática redistribui o volume por custo e prazo, e o que a malha consegue absorver é absorvido sem reprocessar pedido.
Quem opera com uma única transportadora não tem essa opção. É mais um motivo para homologar uma segunda antes do pico, mesmo com pouco volume.
Como a Simfrete ajuda
Na Simfrete, as tabelas de frete entram por upload de planilha, com componentes, regras e vigências, e a cotação automática escolhe a transportadora com melhor custo-benefício para cada entrega considerando as tabelas vigentes. A auditoria de frete cruza cada CT-e com a tabela correta da data do embarque e aponta, antes do pagamento, taxa fora da vigência, generalidade sobre base errada ou valor mínimo indevido.
Como Workflow de Aprovação de Pagamentos, a fatura com divergênciapassa por alçada e fica com trilha de quem aprovou o quê. Como aassinatura é SaaS, sem setup e com implantação rápida, dá paracolocar as tabelas de pico na plataforma ainda neste mês.
Conclusão
Oreajuste sazonal não é o problema. O problema é aceitar sem saberquanto custa, sem vigência, sem gatilho e sem comparação. Asimulação sobre o histórico leva algumas horas quando os dadosestão organizados e muda a conversa de queda de braço para cálculo.
Querver como carregar as tabelas de pico e deixar a auditoria conferircada CT-e contra a regra certa? Fale com um especialista da Simfretee solicite uma demonstração.